Adolescentes em conflito com a lei das cidades de Rio Branco e Sena Madureira tiveram atividades artísticas, como apresentação de peça e a confecção de ilustrações em camisetas
Para comemorar os 35 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), realizou a quarta edição do projeto “Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo Direito à Cultura”. Com o tema “Adolescência em cena”, as atividades ocorreram na tarde da última sexta-feira, 4, em Rio Branco e Sena Madureira.

A iniciativa foi idealizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ocorre em todos os estados do país. Nela, jovens e adolescentes em conflito com a lei realizam atividades culturais, por exemplo, passeios, cineclubes, rodas de conversa e apresentações artísticas. O intuito é assegurar a reinserção social e o direito à cultura a quem cumpre medidas socioeducativas.
Desta vez, três unidades socioeducativas do Acre participaram: o Centro Socioeducativo (CSE) Mocinha Magalhães, CSE Santa Juliana e o CSE Purus. Nesta edição, as atividades propostas são a apresentação de uma peça teatral, produção de ilustrações em camisetas e um bate-papo entre as autoridades do Judiciário, artistas e os adolescentes.
Quem gostou do projeto foram os 13 adolescentes, dos CSE de Rio Branco, que aproveitaram o espetáculo “Boca de Forno: no tempo dos nossos avós”, do Grupo Palhaço Tenorino, na Usina de Arte João Donato. Os jovens em conflito com a lei de Sena Madureira confeccionaram figuras em camisas, com canetas e carimbos.
Abertura do evento
Na oportunidade, a representante da CIJ, juíza de Direito Olívia Ribeiro, desejou que os participantes desfrutassem da ação: “Recebam tudo que está sendo feito aqui em prol de vocês, no que diz respeito à questão educativa e literária. Usufruam deste momento, que possam refletir, por meio dessa peça”.

Para a diretora do centro Socioeducativo Mocinha Magalhães, Jane Braga, a atividade pode ter um papel transformador na vida desses jovens. “Mais do que entretenimento, [a arte] é uma linguagem de expressão, resistência e reconstrução de identidade. Resgata autoestima, amplia horizontes e mostra [aos adolescentes] que suas vozes importam”, disse.
O diretor do Centro Socioeducativo Santa Juliana, Leury Santos, acredita essa ser uma oportunidade única na vida das socioeducandas e dos socioeducandos. “Para muitos deles, será a primeira vez em um espaço cultural, o que torna essa experiência ainda mais marcante. Terão a chance de conhecer artistas locais, ouvir suas histórias e dialogar com outras formas de existência”, ressaltou.
O projeto “Caminhos Literários” é realizado anualmente. Desde 2022, reuniu cerca de 3,2 mil participantes, entre adolescentes em medidas socioeducativas e servidores, e soma mais de 280 unidades socioeducativas membros das últimas edições. A nível nacional, é concebido pelo CNJ, por meio do Programa Fazendo Justiça, e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud); no Acre, pelo Tribunal de Justiça, com apoio do ISE e da Fundação Elias Mansour (FEM).




