Evento gerou um impacto revigorante ao reunir ideias inspiradoras, conteúdos disruptivos, fomento de interações e aprendizado
O Projeto Cidadão, o programa de Assistência à Saúde Mental, a ADA e o projeto do complexo estrutural da Cidade da Justiça de Rio Branco foram apresentados pela comitiva do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) no II Encontro de Inovação do Poder Judiciário de Rondônia. Em estandes disponíveis no hall da Escola da Magistratura do Tribunal de Justiça de Rondônia (Emeron), as iniciativas se somaram à programação de incentivo à inventividade, realizada nos dias 13 e 14 de novembro.
Com o óculos inteligentes, o Projeto Cidadão ganhou vida por meio da realidade aumentada. Essa é a primeira produção da Secretaria de Comunicação do TJAC (Secom) voltada especificamente para essa tecnologia. As imagens digitais sobrepõem ao mundo real, o que torna a experiência o diferencial nas atividades externas, divulgando o maior projeto social da instituição e o contexto local dessa área da Amazônia de forma única.
O estande acreano tinha ainda a exibição de vídeos institucionais e a apresentação das demais iniciativas por meio de uma página exclusiva (acesse). Deste modo, a cada interação com os participantes da formação, o TJAC mostrava sua interface de inovação e alcançava novos espaços para conexões estratégicas, visibilidade e validação dos esforços institucionais.
Além do TJAC, também compuseram a exposição: Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), Ministério Público de Rondônia (MPRO), Instituto Federal de Rondônia (IFRO) e o Ministério Público do Acre (MPAC).

No século XXI, não será 100 anos com 100 anos de progresso, serão mais 20 mil anos de progresso – Ray Kurzseii
As servidoras e servidores que integraram a comitiva também participaram das capacitações ofertadas durante o evento. Na abertura, o vice-presidente do TJRO, Glodner Pauletto, afirmou que inovar não é uma escolha, mas uma necessidade. Em consonância, o vice-diretor da Emeron, Johnny Clemes, apresentou a função do Laboratório de Inovação com a cultura. Para tanto, citou o best-seller Nosso Iceberg Está Derretendo como alegoria para a gestão da mudança. Então, compartilhou o enredo da obra, na qual os pinguins sobrevivem por se utilizarem de proatividade, busca por novas qualidades, adaptação e liderança.
“Aquela realidade dos filmes de ficção científica já chegou! É o presente”, alertou a Lys Filincowsky logo no início da palestra denominada Os Neohumanos e a Liderança na Era Exponencial. Ou como diria a referência utilizada por ela, o escritor Wiliam Gibson [considerado o pai do cyberpunk]: “O futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído”.
Ela inaugurou o dia com uma palestra surpreendente, que saiu do lugar comum da disputa entre homem e máquina ao falar de work slope [trabalhos de baixa qualidade produzidos por IA], brain root [deteriorização mental pelo consumo excessivo de conteúdos digitais superficiais] e demissões silenciosas [quando o funcionário decide fazer só o mínimo necessário para cumprir suas tarefas, evitando qualquer esforço extra e engajamento emocional].
Já o auditor de controle externo do Tribunal de Contas da Paraíba, André Agra, falou sobre o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil. Acelerado na fala e em seu posicionamento, ele remoeu episódios reais com o jargão “Já viu a bronca?”. Então, juntou bioma, PIB, gênero, questões sociais, inovação, geração de conhecimento, melhoria de performance e adição de camadas digitais para tratar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e provocar a audiência a “sair da bolha”.
Concluindo as atividades no auditório da Emeron (veja a programação), o diretor de projetos de Tecnologia da Inovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Leonardo Lemes, apresentou uma linha do tempo com os casos de sucesso em inovação tecnológica observados no Poder Judiciário nacional e internacional, o que possibilitou a reflexão sobre diferentes problemáticas, análise da evolução e o benchmarking, ou seja, a comparação fundamentada na busca de melhorias.
No segundo dia, a pesquisadora Eliana Schuber rompeu de forma definitiva o paradigma de que a tecnologia se resume a robôs e softwares, quando explanou sobre Tecnologias Sociais e Desenvolvimento Sustentável em Comunidades Ribeirinhas da Amazônia. Assim, ao apresentar a arquitetura de casas de comunidades tradicionais, as palafitas, os materiais e até a função do girau [tablado de madeira situado na área externa da casa, utilizado para funções específicas como lavar a louça com a água corrente do rio] reforçou mais uma lição: inovar também é melhorar algo que já existe.
A transmissão das palestras está disponível no Youtube: veja aqui.




Oficina – lugar de elaborar, fabricar ou consertar algo
O ponto alto do evento foram as oficinas, que ocorriam de forma simultânea, com um público menor nas salas de aula da Emeron. Estavam disponíveis três opções: O Cidadão no Centro: Inovação com Design Thinking; Mentes Criativas em Ação: Inovando no Setor Público; Projetos de IA.
Em todas, os oficineiros induziram aplicações práticas para serem discutidas e realizadas em grupos. A dinâmica provocava reflexões em diversos níveis – desde o tema, a realidade da instituição, depois sobre as metodologias, burocracia e recursos técnicos. O fluxo seguia com um olhar sobre como as equipes reagem, transformam, assimilam as inovações na cultura organizacional e, por fim, o autoconhecimento – onde todo o conteúdo atravessa a visão de mundo de cada um, refratando nas opiniões, colaborações e manifestações de ideias, seguindo por fim, um processo de maturação natural.



“É um momento de troca de experiências, de conhecimento, de ideias ligadas à inovação que, de certa forma, contribuem para uma prestação jurisdicional mais eficiente. Estados da Região Norte compartilham suas boas práticas diante das particularidades e similitudes que lhes são inerentes, gerando um aprendizado mútuo. Para além disso, as oficinas nos ensinaram, através da metodologia, como identificar problemas reais e construir soluções colaborativas, demonstrando que a integração de saberes só tem a fortalecer o serviço a ser prestado ao cidadão”
Juíza Bruna Perazzo

“As práticas de elaboração de projetos com auxílio de Inteligência Artificial e a Oficina de Design Thinking mostraram caminhos concretos para melhorar processos internos e a qualidade dos serviços oferecidos pelo Poder Judiciário do Acre aos jurisdicionados. Foi uma oportunidade valiosa para o fortalecimento da cultura de inovação, especialmente no TJAC”
Subsecretário de Estratégia e Sustentabilidade, Evandro Aquino

“As redes de cooperação em inovação são fundamentais para o Poder Judiciário, pois permitem a troca de conhecimentos, tecnologias e experiências entre as instituições e seus profissionais, propiciando a integração das políticas públicas e do aprendizado coletivo” –
Assessora técnica, Cleide Prudêncio.

“A participação do TJAC no 2º Encontro de Inovação do TJRO foi essencial para fortalecer as relações com os órgãos da Rede de Justiça da região Norte. O evento proporcionou um valioso intercâmbio de ideias, permitindo identificar oportunidades de ideação e articulação de projetos colaborativos. Essas trocas reforçam o compromisso de desenvolver iniciativas que beneficiem diretamente o cidadão, que permanece como o centro de atenção e a finalidade maior de todas as instituições envolvidas”
Assessor de Inovação e Transformação do TJAC, Bono Luy.

“Capacitações na elaboração de projetos inovadores por meio de metodologias ágeis fortalece os processos internos, a participação do TJAC em eventos como o 2º Encontro de Inovação do TJRO reforça sua atuação. Esse movimento impulsiona a cultura da inovação, estimula projetos e serviços com design centrados no cidadão” –
Assessor técnico Eliezio Dias.

“A participação do TJAC em eventos de inovação e tecnologia reforça à sociedade que somos uma instituição atualizada e comprometida com as tendências do Judiciário brasileiro. Nosso objetivo é demonstrar que estamos plenamente engajados nesses temas, buscando continuamente aprimorar nossos processos. Esse movimento impacta diretamente na qualidade do atendimento e na entrega de serviços mais eficientes e modernos aos nossos usuários”
Chefe da Divisão de Análise de Negócios e Homologação de Produtos, Gabriel Teixeira
Percepções dos participantes





Fotos: Miriane Teles/Secom TJAC e Emeron/TJRO