O bullying é um tema tratado de forma transversal nas disciplinas, contudo a palestra reforça conceitos importantes à comunidade escolar
O bullying ainda é uma prática recorrente nas escolas. Bernardo Ribeiro levantou o braço e contou que o menino mais baixo (com menor estatura da turma) é chamado de gnomo. Ele não gosta, mas continuam fazendo. O depoimento foi registrado na palestra realizada nesta sexta-feira, 12, na Escola Passo a Passo, situado no bairro Calafate, em Rio Branco.
As facilitadoras incentivaram que a atitude fosse acolhida com palmas. Bernardo foi parabenizado por defender o amigo e não se calar. Também por ter colocado em prática tudo que aprendeu na atividade realizada pela Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj), do projeto ECA na Comunidade (em referência ao Estatuto da Criança e do Adolescente).

O bullying é uma forma de violência, cometida de forma intencional e repetitiva. Nas palavras de Elis Araújo é “quando dão um apelido ruim, com as intenções más, é bullying. Igual quando falam que é cabelo de vassoura, cabelo de miojo, é pra dizer que é feio”. Valentina, sua colega, continuou falando sobre os efeitos: “Isso causa o que chamamos de insegurança. A gente começa a pensar se é feia mesmo. Será que meu estilo não é legal?!”.
A turma era bem participativa e tinha cerca de 30 alunas e alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental. Pelas interações, foi fácil para a pedagoga do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) Alessandra Pinheiro e a estagiária Franciene Monteiro perceberem que os estudantes entendiam o que era o bullying. O assunto já havia sido abordado em sala de aula e eles sabiam diferenciar os tipos (verbal, física e cyberbullying) e até que era possível haver penalidades.
Em seguida, houve a exibição de um filme. Na animação, uma menina descolada era protagonista. Ela estava fazendo um vlog [vídeo blog] na escola, até o momento em que encontra um aluno excluído no recreio. Quando conversa com ele, esse responde que isso acontece porque ele é gordo e usa óculos. A situação muda quando ela também tira seus óculos da bolsa. Contudo, esses eram mágicos. Com eles, era possível ver o mundo mais bonito, assim a narrativa tem o desfecho pautado em empatia.




Enquanto assistiam, as crianças esboçaram várias reações. Principalmente, ao ser dito de forma direta sobre ser gordo: “Ele estava sozinho pela aparência dele”, “Eles julgaram o livro pela capa”, resumiam de forma simultânea. Quando questionados sobre a mensagem do vídeo, Rhyan Gomes disse: “Eu entendi que se você for legal, o mundo fica mais bonito”.
A dinâmica seguinte foi realizada em grupos. Eles receberam papéis com situações hipotéticas com a tarefa de problematizar e sugerir soluções. Nas apresentações, falaram sobre amizade e respeito, assim finalizaram assumindo coletivamente o compromisso de manter um ambiente saudável na escola.













Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC