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Falando o óbvio, porque o óbvio precisa ser dito e revisado – Poder Judiciário do Estado do Acre

Ponte: estrutura que estabelece a ligação entre duas partes similares.

Inicio recorrendo a essa definição com um claro propósito: “desenhar” na cabeça do leitor a principal importância que a comunicação institucional no Judiciário desempenha entre o sistema de justiça e a comunidade.

Através dela é possível facilitar o acesso à transparência, além de aproximar o cidadão das decisões e serviços oferecidos, e ainda fortalecer a confiança pública nas instituições. Uma comunicação clara e acessível não apenas informa, mas também contribui para a compreensão do funcionamento do Judiciário e para o exercício pleno da cidadania.

Essas e outras discussões foram realizadas no XIX Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça (Conbrascom). A edição de 2025 teve como tema “Do viral ao vital: o poder da comunicação na construção da Justiça”, na cidade de São Luís, no Maranhão, de 6 a 8 de agosto.

Na palestra de abertura do evento, a professora, filósofa, escritora e ativista do movimento negro Djamila Ribeiro foi categórica quando disse que “o papel fundamental da comunicação é combater o achismo, além de desconstruir pensamentos enraizados”.

Vivemos uma época de crise de atenção, pessoas passam horas na internet rolando o feed,  postando uma infinidade de assuntos. De acordo com a agência We Are Social, o tempo médio de uso diário de internet pelo brasileiro é de 9 horas e 38 minutos, enquanto a média global de uso da internet é de 6 horas e 37 minutos.

Como dito acima, a comunicação institucional carrega a missão de fazer essa ponte ou ligação entre a instituição à seus usuários. Mas como fazer isso de forma eficiente em meio a um oceano de tantos memes, vídeos fofos, notícias falsas e discursos de ódio? Pois é, o desafio é gigante. O feed é uma grande praça pública, quando a gente se comunica mal, já perdemos o jogo antes mesmo de começar. Contudo, a internet é um jogo que ninguém nunca vai ganhar. Quer um exemplo? Ninguém está satisfeito mesmo que os números de curtidas e seguidores continuem crescendo.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples. Um compromisso que prevê a implementação de ações, iniciativas e projetos em todos os segmentos da Justiça e em todos os graus de jurisdição, que objetiva utilizar uma linguagem clara, direta e acessível a todos os cidadãos, tanto na elaboração das decisões judiciais, quanto na comunicação geral com a sociedade.

Quando se fala difícil, afasta quem mais precisa ouvir, e quando se ausenta abre espaço para desinformação e desconfiança. Para provocar a transformação é preciso comunicar com excelência. Um conteúdo que funciona tem utilidade real com contexto e empatia.

Para isso, alguns mitos devem ser quebrados. Por exemplo, que a formalidade é igual a seriedade, que palavras complicadas significam maior autoridade. Pelo contrário, palavras difíceis causam ruído, se ninguém entende, ninguém respeita. Outro mito a ser desconstruído é que a muralha cultural do juridiquês é invencível. Isso é fábula. Quem quer servir e promover a justiça não se esconde atrás desse muro, mas abre caminho, ou melhor: constrói pontes.

A professora Raquel Recuero define rede social como uma troca social entre atores. A vida já é assim fora da atmosfera digital. No bar, no restaurante, no ponto de ônibus, na zona urbana ou rural, em todos os lugares onde a vida acontece. Vou ainda mais além, desde o primeiro embrião de comunicação entre dois seres vivos, as ideias fluem, se chocam, se harmonizam, se contradizem, mas há sempre algo a ser dito rumo a nossa “evolução” (seja lá o que isso significa visto o cenário atual de guerras e outras mazelas),  ou pelo menos que sejamos uma espécie melhor a cada dia. Se pensarmos desta forma, a comunicação é meio e não fim, ou seja, uma ponte.

As tecnologias dos aparelhos de comunicação continuam evoluindo e sua mobilidade transformou a forma como as ideias evoluem e engajam as pessoas. O tempo de resposta ideal para a interação do usuário, como a escolha de conteúdo, é de 0,4 segundos. Isso mesmo: 0,4 segundos é o tempo que ao clicar em um botão, escolher um conteúdo ou enviar um comando — a resposta visual ou funcional deve ocorrer praticamente de forma instantânea aos olhos do usuário. A selva digital é cruel e não permite erros ou atitudes impensadas.

Na palestra de encerramento, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flavio Dino disse que vivemos uma época em que o “ódio é viral e monetizado, produzido industrialmente. ‘Os  direitos humanos’ é um termo praticamente banido. E o sistema de Justiça é tratado como a negação da democracia”. Ora, assim, a legitimidade da Justiça deve ser reafirmada todos os dias. Quem está no sistema de Justiça não pode se acomodar diante do cenário de crise, mas deve agir com uma postura e ações ponderadas, equilibradas, porém firmes.

O mercado, por si só, já é ‘desigualador’, e a Justiça deve lutar para acabar com a desigualdade, ou seja, fazer cumprir o que estão nas leis, principalmente na Constituição Federal. Em outras palavras, servir os que menos tem. Ok, estamos longe de atingir um nível ideal, visto que ironicamente haja tanta desigualdade nos três poderes, porém mais longe já estivemos. Os passos podem parecer lentos, mas são firmes.

Vivemos a época em que os assuntos viralizam e desaparecem na mesma velocidade. Assim, a comunicação institucional no sistema judiciário deve comunicar para servir e para transformar. Seja o viral, que impulsiona, ao vital, que ancora, devemos fazer a ponte entre o técnico e o humano, com compromisso ético e cidadania.

Encerro com a sensação que esse texto abordou apenas perspectivas óbvias, mas, convenhamos, em tempos de notícias falsas e tantas falhas de comunicação, o óbvio precisa ser dito, relembrado e revisado.

Em tempos de desconfiança nas instituições, a comunicação pública não é acessório! É alicerce – e deve ser forte como uma ponte.