Em seu encerramento, 1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre reforça compromisso com a cultura da paz

Evento reuniu magistrados, servidores, educadores e representantes de diversas instituições para discutir práticas restaurativas e fortalecer uma sociedade acreana mais pacífica

Com o propósito de fortalecer a cultura da paz e ampliar o diálogo sobre práticas restaurativas no sistema de justiça, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou, nos dias 23 e 24 de outubro, o 1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre. O evento ocorreu no auditório da Escola do Poder Judiciário (Esjud) e reuniu magistradas, magistrados, servidoras, servidores, educadores e representantes da sociedade civil em dois dias de debates e trocas de experiências.

Nesta sexta-feira, 24, a programação abordou temas que demonstram a abrangência e o potencial transformador da Justiça Restaurativa em diversos contextos sociais. As discussões passaram desde a aplicação das práticas restaurativas em escolas e unidades prisionais, até o atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social, reafirmando o papel do Judiciário acreano na promoção de um sistema mais humano, empático e inclusivo.

A desembargadora Waldirene Cordeiro, uma das idealizadoras e mediadoras do evento, destacou a importância do encontro para consolidar o movimento restaurativo no estado.

“A continuidade da apresentação de boas práticas e a presença de pessoas de grande referência na área já tornam o evento um sucesso. Fico muito feliz por ver a caminhada da Justiça Restaurativa no Acre, que, mesmo recente, tem crescido muito e despertado o interesse de diversas instituições. É um passo importante na construção de um sistema de justiça mais humano e pacificador”, afirmou.

 

 

Entre os painéis, o juiz Haroldo Rigo, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), apresentou a palestra “Transformando o ambiente escolar: a Justiça Restaurativa como alternativa à disciplinaridade tradicional”. Ele ressaltou que o Acre tem se destacado nacionalmente pela riqueza das experiências e pela capacidade de integrar diferentes áreas em torno do tema.

“O estado do Acre é uma referência nacional em projetos ligados à Justiça Restaurativa. Essa prática não é apenas uma derivação do sistema tradicional, mas uma forma de cuidar dos relacionamentos — seja no campo judicial, administrativo ou social”, avaliou.

Outro momento marcante foi a mesa-redonda “Promovendo respeito e dignidade: o potencial da Justiça Restaurativa para pessoas em situação de rua”, mediada pelo juiz Bruno Perrotta e com a participação de representantes do poder público e de movimentos sociais, como Rudson Nunes, do Movimento Acreano da População em Situação de Rua (MAPSIR), e o secretário municipal João Marcos Luz. O debate destacou a necessidade de fortalecer as redes de apoio e garantir que as práticas restaurativas também alcancem os mais vulneráveis.

“A Justiça nos faz olhar para além do problema imediato. Quando falamos de pessoas em situação de rua, falamos de vidas que pertencem a um território. Muitas vezes, a rede que deveria acolher tem falhas, e é por essas brechas que muitos acabam ficando para trás. O que precisamos é reconstruir essa rede, com responsabilidade coletiva, para que ninguém mais seja invisível dentro do próprio sistema”, contou Rudson durante sua participação. 

 

 

Na mesa “Educação e Justiça Restaurativa – Cultura de Paz nas Escolas”, mediada pelo analista judiciário Fredson Pinheiro, a pedagoga Luciene Barros (IFAC) e a secretária estadual de Educação, Milla Oliveira, apresentaram experiências de mediação de conflitos e construção de paz no ambiente escolar, destacando o impacto positivo na convivência e no aprendizado dos estudantes.

O encerramento do evento ficou marcado pela mesa “Práticas Restaurativas em Unidades Prisionais”, conduzida pela desembargadora Waldirene Cordeiro, com a participação da juíza Andrea Brito (CNJ), da diretora da Divisão de Estabelecimentos Penais Femininos, Jamília Souza, e da assistente social Tânia Filgueiras. O painel contou com o emocionante depoimento de uma reeducanda, que compartilhou sua experiência e destacou o poder transformador do diálogo e do reconhecimento mútuo no processo de reintegração social.

Ao encerrar o encontro, a desembargadora Waldirene reforçou que a Justiça Restaurativa não se limita a um método, mas representa uma nova forma de enxergar o conflito e reconstruir relações.

“A Justiça Restaurativa é, acima de tudo, uma ferramenta de humanização. Ela nos convida a escutar, compreender e reparar, e esse é o verdadeiro sentido da justiça: restaurar, não apenas punir.”

O 1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre consolida o TJAC como protagonista na disseminação dessa cultura de paz, que valoriza o diálogo, a empatia e a corresponsabilidade na resolução de conflitos.

 

 

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Samuel Bryan de Moraes Gomes | Comunicação TJAC

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