Participação espontânea, segurança e emoção marcaram o pleito que mobilizou comunidades de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima
Tal qual todo o Acre, o Vale do Juruá amanheceu com algo diferente neste domingo, 30. A região também tem sido palco de um momento histórico para o estado e para o país: a primeira eleição direta para juízas e juízes de paz, organizada pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). O pleito, realizado em todos os 22 municípios, tem transcorrido com tranquilidade, intensa participação da população e reconhecimento público pela eficiência do trabalho do Judiciário acreano.
Em Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima, a votação movimentou famílias inteiras, lideranças comunitárias, autoridades e servidoras e servidores de todos os poderes, unidos pelo propósito de fortalecer a cidadania e participar dessa inovação democrática.
Cruzeiro do Sul ainda teve a responsabilidade de encaminhar as urnas aos municípios vizinhos de Mâncio Lima e Rodrigues Alves por via terrestre, além do envio via aéreo às cidades de difícil acesso de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. O transporte e a entrega foram coordenados pela Assessoria Regional, garantindo que mesmo localidades onde o acesso depende de rio ou aeronaves recebessem todos os equipamentos no prazo.




Cruzeiro do Sul e um ambiente de tranquilidade
Diretor da comarca do segundo maior colégio eleitoral do Estado, o juiz Erik Farhat visitou os 13 locais de votação de Cruzeiro do Sul logo no início da manhã. Em todos eles, encontrou estrutura montada, equipes preparadas e eleitoras e eleitores já iniciando o fluxo de votação.
“Começamos cedo fazendo inspeções para verificar as instalações e está tudo funcionando perfeitamente. A votação começou dentro da normalidade, os eleitores estão comparecendo e o ambiente é de absoluta tranquilidade. Seguiremos assim ao longo do dia, garantindo acesso à votação e um ambiente de trabalho acolhedor para todos”, afirmou o magistrado.
A tranquilidade relatada pelo juiz de direito era visível nas escolas: salas organizadas, mesários e mesárias presentes e uma população engajada em participar desse momento único.

“Um avanço para a democracia”
A eleição movimentou moradores de todas as idades. A conselheira tutelar Erivalda de Menezes celebrou o ineditismo da iniciativa:
“Eu vejo como um avanço, né? Um avanço para a democracia. É a primeira vez que a Justiça coloca à disposição da sociedade a escolha direta das pessoas que vão nos representar. Eu vejo isso como um grande avanço”, comentou.
A família Silva foi um dos exemplos de participação coletiva. Avó, pai e neto chegaram cedo para garantir o voto. Representando o sentimento da família, o jovem de 18 anos, Everton de Oliveira, resumiu: “Viemos juntos porque é importante para todo mundo aqui participar. Temos nosso candidato e viemos declarar nosso voto”.
Já para o líder comunitário José Cláudio Pereira da Costa, a importância prática e simbólica da eleição é enorme. “É um exercício de cidadania poder escolher uma pessoa para nos representar. O juiz de paz vai ajudar muito, inclusive contribuindo para desafogar demandas do Judiciário. Para nós, é fundamental participar e contribuir com a comunidade”, conta ao sair do seu local de votação.


Engajamento popular em Rodrigues Alves
Na comarca de Rodrigues Alves, administrada pela juíza Mirella Ribeiro, a participação surpreendeu desde cedo.
“Temos três locais de votação e a movimentação está grande. Às 7h da manhã, quando chegamos para fazer os últimos ajustes, já havia senhores aguardando na fila. Isso mostra que tivemos uma excelente divulgação e que a população entendeu a importância desse momento. É algo primordial para o município”, destacou a magistrada.
O prefeito Salatiel Magalhães fez questão de ir votar e reconheceu o pioneirismo do Judiciário: “Quero agradecer ao Poder Judiciário do nosso estado e à doutora Mirella pelo trabalho. É um momento importante para os nossos munícipes. Que a população escolha bem e que possamos, em breve, receber nosso juiz de paz escolhido pelo povo.”




Pleito calmo em Mâncio Lima
Em Mâncio Lima, a juíza Deise Minúscoli, diretora do fórum, relatou um cenário igualmente organizado e pacífico: “A eleição está ocorrendo de forma muito tranquila. A população está comparecendo para exercer o direito ao voto. O Tribunal de Justiça, juntamente com todos os parceiros, está de parabéns pela realização da primeira eleição de juiz de paz no Brasil, concretizando a justiça e efetivando a cidadania. Agradeço aos servidores e colaboradores pelo empenho. Quem ganha é a população acreana.”


Um marco para o Acre
A presença massiva dos moradores, o engajamento de servidores e a coordenação precisa do TJAC consolidaram o sucesso do pleito no Vale do Juruá. A votação fluiu com naturalidade, respeito e entusiasmo — sentimentos que traduzem o impacto da iniciativa.
A eleição de juízas e juízes de paz representa mais do que um processo eleitoral: marca uma mudança histórica na forma como a Justiça de Paz se relaciona com a comunidade, aproximando ainda mais o Judiciário da vida cotidiana das pessoas.
Com organização exemplar e participação expressiva, o TJAC reafirma seu compromisso com a cidadania, a inovação institucional e o fortalecimento da democracia em todo o estado.
Fotos: Samuel Queiroz